PFC Processo de Formatação em Curso

Teve este ministro da Educação a excelsa ideia de realizar em formato digital as provas de aferição para miúdos do 2°, 5° e 8° anos. Em nome do progresso e do reforço, fundamental, já se vê, das competências digitais. Ou seja, em idades-chave para o desenvolvimento da capacidades criativas, de expressão escrita e oral, de todo o processo cognitivo que começa no pegar numa caneta ou num lápis e começar a sonhar, em que o gosto pela leitura e pelo imaginário que daí vem é fundamental para o exercício crítico que se pretende, o governo (ou o próprio Estado) responde com ecrãs e limitações pseudo luminosas. À liberdade de imaginar, criar, pensar impõe-se formatação.
Num país em completo descalabro educativo é esta a prioridade do Ministério da Educação. Convenha-se que pior é dificil. Faltam recursos humanos e financeiros, inventam se milhares para aplicar em meios digitais. Para quê? Para criar um pais de ficção, em que o Estado se torna cada vez mais incapaz de cumprir vários dos artigos da nossa Constituição.
Nós, que crescemos com o Tom Sawyer, não queremos que as nossas escolas se tornem espacos limitados em que as respostas se dão em forma de botão de computador.  Formatados todos em folhas de excel.
E nada de ilusões que é aí que estes prodigios da pseudo-pedagogia-digital querem chegar. Um cerco ao querer saber. Não uma escola que faz pensar e que desenvolve cidadãos livres e conscientes mas um local de onde, passados 12 anos saem jovens, quase todos iguaizinhos uns aos outros, incapazes de decidir para além do que lhes vêem exactamente pelo tal ecrã, cada vez mais pequeno por onde vêm o mundo. Que repetem sem pensar. E que podem votar. Em quem? Em personagens que saídas desta ausência de liderança que todo este processo, em conjunto com a infantilidade dos programas carregados de ideologia, também ajudaram a criar. Leiam e dêem a ler aos mais novos Mário e o Mágico do Thomas Mann enquanto podem. Não estamos longe desse dia. A história repete-se, a cretinice também. E com tendência, essa sim, a um crescimento exponencial. Se ainda vamos a tempo? Quem cresceu com livros e redações de heróis que viviam aventuras reais ou imaginárias tende a responder que sim. A "aprendizagem" intensiva destas últimas décadas de governação na Educação retira a ingenuidade mas não o idealismo desses tempos. E reforça a responsabilidade de fazer frente à espiral de mediocridade que nos tentam impôr. E, já agora, lembram-se do que é ter sete ou oito anos?

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