A Arte que Diogo teve
D. Diogo de Noronha Veiga e Nápoles era um "gentiluomo amantissimo della pittura" como o descreve Guarienti no Abecedario Pittorico de 1753, dono de uma grande biblioteca e um dos maiores colecionadores de arte da Lisboa de meados do séc. XVIII. Na sua coleção, hoje toda ela dispersa ou até desaparecida, havia muita pintura flamenga (marinhas) e alguma portuguesa, sendo tema recorrente o heroísmo da resistência ao invasor de que o quadro do Incêndio de Tróia era o melhor exemplo. E não por acaso: descendia de uma linhagem de servidores públicos e defensores da independência com correspondência com o padre António Vieira, ao mesmo tempo que se distinguiam também eles como poetas e pintores.
Por que é que fui buscar isto numa manhã de domingo? Por ter percebido agora que as duas galinhas, 10 alqueires e 1000 réis que esta Quinta lhe tinha como foro iam directas ao palácio em São Vicente depois destruído pelo terramoto o que, com um bocadinho de criatividade e sem mania das grandezas mas das belezas, talvez tenham contribuído para que a coleção existisse. É que já que a haver foro então que fosse em bom e em bonito.
E, já agora, talvez também não por acaso um irmão deste, António de Nápoles "grande letterato versatissimo nelle antichita" era Principal da Patriarcal na mesma altura em que um tal D. António Paes Godinho, Bispo de Nankim também por ali andava e, vá-se lá saber por quê decidiu, só não sei se numa manhã de domingo, comprar uma "fazenda" ali para os lados de Santiago do Cacém a que, pelas suas características, chamavam Olhos Bolidos...


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